Sociedade

5 Coisas Que Você Só Faz Graças às Feministas

O dia 8 de Março não é feriado, mas é uma data comemorada mundialmente como O Dia Internacional da Mulher. Antes que alguém grite qualquer coisa sobre “Ah, mas e o dia internacional do ho…” e me faça revirar os olhos até que só sobre o branco do globo ocular, vamos começar espalhando o conhecimento de que o dia de hoje existe para celebrar a luta feminina por direitos iguais no mundo todo. Tendo sua origem em manifestações e greves de operárias socialistas, não me parece exatamente adequado presentear a mulher mais próxima com uma flor. Uma chave de fenda, talvez?

Seja como for, esse é o momento ideal para celebrarmos as conquistas feministas ao longo da história e pensarmos nos caminhos que ainda temos por percorrer. Vivemos atualmente o que já se chama de “terceira onda” do feminismo em que, graças à participação de intelectuais negras na década de 90 , começamos a descentralizar o debate para um viés cada vez mais democrático. Percebemos melhor a necessidade de falar com mulheres de diferentes raças, sexualidades e classes sociais; cis ou trans.

Para entender melhor tudo isso, vamos fazer uma listinha de cinco coisas que nunca poderíamos fazer se não fossem as feministas:

  1. Votar

Para quem ainda não sabe, a Primeira Onda Feminista surge na Europa e na América do Norte no final do século XIX com o principal objetivo de conquistar o direito de voto às mulheres. As sufragistas, como ficaram conhecidas, não só conseguiram mudar as leis dos seus países como também influenciaram o resto do mundo a adotar o sufrágio universal, como foi o caso do Brasil, que depois em 1932 teve o Código Eleitoral alterado para garantir o direito ao voto feminino. Hoje pode parecer uma garantia básica da democracia e um assunto de um passado distante, mas foi apenas em 2015 – há quatro anos atrás – que as mulheres na Arábia Saudita participaram de uma eleição pela primeira vez.

2. Estudar

Escrever esse artigo e poder ser lida por outras mulheres também é uma conquista. Como consequência dos movimentos internacionais, as mulheres também puderam passar a frequentar escolas no Brasil. Apesar da primeira lei de direito à educação ser concedida em 1827, as instituições mais avançadas permaneceram proibidas. Em 1932, Nísia Floresta escreve Direitos das Mulheres, Injustiça dos Homens, o que a fez ser considerada a primeira feminista brasileira e latino-americana. Mas foi apenas meio século depois que o acesso ao ensino superior foi liberado para as brasileiras.

3. Ter Uma Profissão e Trabalhar

Os direitos trabalhistas femininos também se desenvolveram aos poucos, como conquistas próprias dentro dos direitos trabalhistas gerais. Até 1962, por exemplo, a mulher brasileira ainda precisava de autorização do marido para exercer uma profissão. Com influência na Segunda Onda Feminista que surge no início da década de 1960, a mudança aconteceu graças ao Estatuto da Mulher Casada, que modificava as leis do Código Civil de 1916 a esse respeito.

Em 1963, nos EUA, o movimento feminista conquista o Equal Pay Act , lei que garante o direito a salários igualitários. Até hoje, mulheres do mundo todo ainda lutam pelo direito a condições e salários iguais no exercício das mesmas funções dos seus pares masculinos.

4. Responder Civilmente Por Si Própria

Hoje quando abrimos uma conta no banco, gerimos nosso dinheiro, pagamos contas, abrimos negócios e assinamos em nosso próprio nome, nem imaginamos que há menos de 60 anos atrás nada disso seria possível. Antes do estatuto de 1962 a mulher era considerada civilmente incapaz no Brasil, não podendo assim responder por nenhumas das atividades citadas anteriormente.

5. Tomar Pílula Anticoncepcional

A Segunda Onda do Feminismo levantou debates que iam além do âmbito legislativo e passavam pela desconstrução de tabus relacionados à sexualidade, comportamento e estrutura familiar como, por exemplo, os papéis pré determinados para homens e mulheres em casa. Dentro desse contexto, o surgimento da pílula anticoncepcional foi um grande passo na luta pelo direito ao planejamento familiar e é claro, ao direito sobre o próprio corpo. A prevenção passou a estar sob o controle feminino e o sexo não precisava mais estar veiculado à reprodução do casal. As mulheres puderam enfim começar a entender e explorar sua sexualidade.

Atualmente, os direitos reprodutivos (garantia por parte do Estado da autonomia de um cidadão na escolha de ter filhos) das mulheres não são os mesmos em todos os lugares do mundo. Além do acesso à pílula e outros métodos preventivos, ainda lutamos para garantir o acesso à informação e ao debate sobre temas sensíveis como o aborto. O direito a interromper uma gravidez através do aborto é hoje uma escolha legal da mulher em 63 países do mundo. O Brasil não é um deles.


Todas as imagens presentes nesse texto são da artista @mirubrugmann

Flavia Doria é jornalista e fundadora do aletraeffe.com

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