Autoamor

5 Dicas Para Combater o FOMO

Você ainda não viu Bacurau?! O meu coração aperta cada vez que alguma coisa na internet me lembra que eu não assisti o último filme do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho. Quando me perguntam, eu respondo como quem precisa se justificar: “Não passou em nenhum cinema perto de onde eu moro”; “Estou velha e não sei mais baixar torrents“. Por dentro, uma voz macabra me lembra que eu sou uma farsa. A pseudo fã do cinema nacional. A criatura mais desatualizada do planeta. Respiro fundo e tento me lembrar que esses sentimentos tem endereço e telefone: trata-se de mais um caso de FOMO, o famoso medo de estar por fora (Fear of Missing Out).

Para alguns pode ser a vergonha de não saber o último imbróglio no mundo da política, ou talvez a polêmica mais recente no Twitter, ou ainda, quem sabe, a angústia de desconhecer o que FOMO ou tantas outras siglas significam. O termo não é recente, mas fato é que o nosso desejo por estarmos informados ganhou proporções catastróficas no momento em que passamos a viver em uma realidade com acesso à informação 24 horas por dia. Quando nossas relações são baseadas no compartilhamento de conteúdos online, estar por dentro dos acontecimentos faz parte da nossa aceitação social; mas como é possível acompanhar tudo que acontece no mundo o tempo todo?

Viver diariamente com a preocupação de cumprir essa tarefa impossível pode gerar muita ansiedade e até mesmo a depressão. Pensando nisso, eu resolvi resumir em 5 algumas dicas para combater esse vilão :

Um Pouco de Perspectiva

Mas afinal, o que estamos perdendo? Se você passar um dia sem ler as notícias, provavelmente não vai perder muito. O ritmo frenético de notificações só é possível porque grande parte do conteúdo midiático não cumpre mais com os critérios de relevância jornalística. Intrigas entre pessoas famosas, a opinião de um influencer sobre o assunto da moda, a repercussão dessa mesma opinião e por aí vai… inclusive boa parte das notícias políticas hoje não são sobre política, mas sobre escândalos da vida pessoal de figuras políticas. Em último caso, pense que há vinte anos atrás nós tínhamos não muito mais do que uma hora no jornal da noite para ouvir sobre tudo que havia no mundo – e sobrevivemos até aqui.

Priorize os Seus Interesses

Sempre que o FOMO bater na sua porta se questione sobre as suas prioridades. Será tão importante assim para você estar por dentro desse tópico que todo mundo está falando? E se essa festa, notícia ou novo especial da Netflix não for realmente do seu interesse? Ninguém se envolve em todos os assuntos com a mesma intensidade, então descubra o que realmente é importante para você e priorize isso! Talvez aquele workshop de maquiagem vegana não seja mesmo para você e tudo bem.

Respeite o Seu Tempo

É, é verdade que eu não vi Bacurau. E sim eu quero muito ver, mas digamos que ainda não aconteceu. E está tudo certo, eu provavelmente vou assistir quando puder. Se você ainda leu, assistiu ou ouviu a mais nova das novidades agora não significa que você não vá fazer depois. Seu tempo é precioso e só você pode saber a melhor maneira de gastá-lo. Dá próxima vez que a sua amiga perguntar “Você ainda não assistiu Bacurau?!” simplesmente diga que não, mas gostaria. E quem sabe peça um link ou um ingresso de cinema.

Faça Sua Curadoria

Assim como eu disse nesse artigo sobre autocuidado nas redes sociais, é inevitável dizer: escolha bem quem você vai acompanhar nas redes! Procure seguir fontes de conteúdos menos imediatistas, com um prazo de validade mais prolongado. Se as postagens que você vê já não tem mais importância no dia seguinte, talvez elas nunca tenham sido importantes. Ao menos que faça parte do seu trabalho, você não precisa acompanhar passo a passo todas as etapas do desenvolvimento de uma notícia, nem isso te faz mais inteligente. Também avalie perfis que te façam sentir que sua vida não é boa o suficiente – fique atento ao que te causa ansiedade!

Abrace o JOMO

Claro que alguém já criou uma expressão para dizer o contrário. O JOMO, Joy of Missing Out, é sobre a alegria de desconectar um pouquinho. A tranquilidade de entender que não somos obrigados a saber todas as declarações do Trump. E também ter as leituras em dia. Ah e uma opinião sobre o futuro do humor, enquanto usamos bolsas tendências de miçangas e escovamos os dentes com escovas de bambu logo antes de sairmos para a inauguração do bar novo que abriu no bairro. É a indescritível sensação de assistir o mesmo filme de pijamas em uma sexta-feira à noite e saber que não está perdendo nada.


Todas as imagens presentes nesse texto são de autoria própria.

Flavia Doria é jornalista e fundadora do aletraeffe.com

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