Sociedade

Guia Prático Para Ser Um Aliado Na Luta Feminista

Neste mês das mulheres, ao sair de um evento sobre feminismo, um amigo dividiu comigo que sentia falta de conversarmos nestes espaços sobre o que homens como ele poderiam fazer para ajudar. Como eu acredito que não resolvemos questões sociais com metade da população e que a participação masculina é primordial para quem busca soluções, fiz uma pequena lista, cheia de amor, dedicada a eles.

1. Na Dúvida, Pergunte

Não sabe porque algum assunto é discutido como pauta feminista? Não desacredite a validade do tema, pergunte. Procure saber o que tem por detrás das reivindicações, dos tópicos e dos hashtags. Ninguém nasce sabendo. É perfeitamente normal não entender porque algumas questões são um problema para as mulheres. Leve em consideração que em uma sociedade que trata homens e mulheres de maneira diferenciada, elas possuem vivências diferentes das suas.

2. Entenda Lugar de Fala

Apesar do machismo e da desigualdade de gênero ter consequências nocivas para todas as pessoas, só as mulheres podem te dizer quais são os problemas que elas sofrem e quais as possíveis soluções.

3. Escute

Começamos a ser ouvidas há muito pouco tempo. A subjugação das mulheres pelos homens é a mais antiga da história da humanidade, anterior por exemplo à escravidão racial. Por isso estamos todos acostumados a dar mais espaço e mais credibilidade para as falas masculinas. Então escute suas colegas de trabalho durante a reunião, suas amigas na mesa do bar, sua namorada em casa e aquelas que você não conhece. Especialmente quando discordarem de você. Não as interrompam e não deixem que outros o façam.

4. Reconheça Seus Privilégios e os Use Favor da Igualdade

Em diversas áreas da nossa vida, os homens possuem privilégios sobre as mulheres. Privilégio é um conceito comparativo. Água limpa, por exemplo, parece um direito humano básico e mesmo assim nem todas as pessoas no mundo possuem acesso a ela. Assim, aqueles que todos os dias usufruem de uma água segura dentro de casa são privilegiados frente àqueles que não podem fazer o mesmo.

Diferença salarial, menor acesso à educação, menos direitos, assédio sexual, dupla jornada com as tarefas domésticas, são apenas algumas das questões que deixam as mulheres “para trás” na sociedade. Reconhecer privilégios é o primeiro passo para resolver a desigualdade entre gêneros.

Ok, mas o que eu posso fazer para ajudar? Divida as tarefas de casa. Valorize o trabalho doméstico e de cuidados — quanto você paga a sua diarista ou a babá do seu filho ou a cuidadora dos seus pais? Você faria esse trabalho por este valor? Dê uma forcinha extra. Se as mulheres já acumulam desvantagens, que tal oferecer algumas vantagens quando puder? Contrate mulheres. Suas colegas ganham menos pela mesma função que você? As ajude a negociar aumentos, questione em favor delas. Organiza eventos com palestras ou rodas de conversa? Produz programas de rádio, tv, podcasts, entrevistas? Convide mulheres para falar! Dê oportunidades.

Lembre-se que a desigualdade só aumenta para mulheres que sofrem outros tipos de discriminação. Raça, classe social e orientação sexual são só alguns dos fatores que podem tornar a vida delas ainda mais difícil.

5. Converse Sobre Sexo

A sexualidade feminina ainda é tabu e a expressão dela é frequentemente motivo para repressão. Santa ou puta é como o imaginário patriarcal polariza o perfil de uma mulher, gerando a expectativa de que o nosso comportamento se enquadre em um dos lados dessa moeda. Tanto o endeusamento da primeira como o julgamento da segunda impedem que mulheres tenham vidas sexuais saudáveis.

Além disso, existe uma coisa chamada pleasure gap. As mulheres cis são quatro vezes mais propensas que os homens cis a não desfrutar das relações sexuais. Isso se deve à falta de informação sobre o corpo e o prazer feminino e a falta de comunicação entre parceiros sobre o assunto.

Então conversem sobre sexo. Entre vocês, com suas amigas e parceiras. Isso ajuda primeiro a desmistificar o comportamento sexual das mulheres e a reconhecer nosso interesse por sexo como sendo igual ao de vocês; e em segundo, a melhorar a experiência íntima diminuindo assim o pleasure gap. Comunicação é o que separa um sexo ok de um sexo incrível 😉

6. Não Afaste Outros da Discussão

Muitas vezes, enquanto aprendemos sobre um assunto, nos sentimos impacientes com quem ainda não pode compartilhar do nosso pensamento. Quando olhamos para o lado encontramos pessoas em diferentes estágios do debate. Você é bem-vindo para se irritar com o comentário machista do seu amigo, mas você tem mais chance de ser ouvido por ele do que nós. Não desperdice esse super poder 😛

7. Defenda TODAS As Mulheres

As mulheres são diferentes e suas necessidades também, mas o feminismo é uma luta social e, portanto, coletiva. Os direitos das mulheres só serão verdadeiramente alcançados quando se aplicarem para todas as mulheres. Por isso defender a sua mãe ou a sua irmã não te torna feminista. O mesmo se aplica cada vez que excluímos um grupo de mulheres das nossas reivindicações. Mulheres cis, trans, magras, gordas, ricas, pobres, presidiárias, grávidas, lgbtq, de esquerda e de direita, trabalhadoras sexuais, usuárias de drogas… todas merecem o nosso respeito!

Fontes:

https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2020/feb/05/katherine-rowland-the-pleasure-gap-women-sex-lives-desirehttps://swell.damewellness.co/what-is-the-pleasure-gap/


Todas as imagens são da autoria própria.

Flavia Doria é jornalista e fundadora do aletraeffe.com

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