Sociedade

Mulheres do Futuro Presente

Dezembro tem sabor de retrospectivas. Comemoramos o fim da década e de um ciclo. E em um ano em que a Revista Time escolhe como Pessoa do Ano uma menina de 16 anos, eu penso sobre Greta e todas as mulheres que olharam para frente e nos levaram um passo de cada vez em direção ao futuro. Muitas delas pioneiras, porque às beiras do início do século XXII ainda fazemos uma série de coisas pela primeira vez.

Pensando nisso, eu selecionei algumas das mulheres que nos inspiraram ao longo de 2019 a ocupar espaços, reivindicar direitos e lutar por aquilo que acreditamos. Confira:

Marta

A futebolista brasileira se tornou este ano a maior artilheira da história das Copas ao fazer o 17º gol de sua carreira, superando assim o alemão Miroslav Klose. Marta também aproveitou o Mundial Feminino para chamar a atenção para a desigualdade salarial no futebol com a campanha #GoEqual.

“A gente está quebrando muitas barreiras. Esse recorde representa bastante, porque não é só a jogadora Marta que quebrou um recorde, mas as mulheres. Em um esporte que, para muitos, ainda é um esporte masculino, nós temos uma mulher como a maior artilheira das Copas. Então é para todas elas.”

Christina Koch e Jessica Meir

As astronautas americanas foram as primeiras a embarcar em uma caminhada no espaço só com mulheres. Elas passaram sete horas do lado de fora da Estação Espacial Internacional (EEI) substituindo uma uma fonte de energia. Atualmente, a NASA ainda trabalha no Projeto Artemis, que visa levar pela primeira vez uma mulher à lua.

Alexandria Ocasio-Cortez

A congressista nova-iorquina se tornou a mulher mais jovem a chegar ao Congresso dos Estados Unidos. Alexandria é latina, muito presente nas redes sociais, cresceu no Bronx e surpreendeu a todos ao derrotar o veterano Joe Crowley. Em 2019, os estadunidenses elegeram o maior número de congressistas mulheres da história.

Katie Bouman

Katie, 30, liderou o desenvolvimento de um algoritmo que resultou na primeira imagem de um buraco negro. Ela iniciou o projeto como estudante de graduação e agora é professora assistente de matemática e ciência da computação no Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Yalitza Aparicio

A atriz mexicana ficou conhecida por protagonizar o filme Roma, de Alfonso Cuarón. Em janeiro, ela foi a primeira mulher indígena a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Desde então, Yalitza utiliza seu reconhecimento para atuar como ativista pela igualdade de gênero, pelos direitos das comunidades indígenas e pela proteção constitucional dos trabalhadores domésticos.

Greta Thunberg

Desde 2018, Greta ganhou proporções gigantescas com o seu trabalho de ativismo ambiental iniciado em Estocolmo, Suécia. Através de greves escolares, “Fridays For Future”, a estudante ganhou a atenção de políticos do mundo inteiro e já discursou nos principais lugares onde se debatem leis ambientais. Esse ano Greta viajou a bordo de um veleiro movido a energia solar da Europa até os Estados Unidos – uma jornada épica para incentivar outras pessoas a reduzirem sua pegada de carbono – e ganhou o tradicional prêmio da Revista Time de Pessoa do Ano.

Sonia Guajajara

A líder indígena filiada ao PSOL se destacou esse ano dentro e fora do Brasil nos debates sobre o clima. Membro da câmara baixa do Congresso e coordenadora de Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia é reconhecida por denunciar os crimes humanitários e ambientais ocorridos no território indígena este ano pelo governo Bolsonaro.  Sonia também participou da organização da 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, ocorrida em agosto e da Marcha Pelo Clima em Madrid – ao lado do ator Javier Bardem e Greta Thunberg.

Maria Fernanda Espinosa

Presidente da Assembleia-Geral da ONU, a diplomata do Equador foi a primeira da América Latina a ocupar o cargo na história da organização. Ela conclamou os governos a destinarem bilhões de dólares ao combate às mudanças climáticas e anunciou sua determinação em combater a discriminação de gênero.

Shelly-Ann Fraser-Pryce

A atleta que ultrapassou Usain Bolt – até então o homem mais rápido do mundo – possui dois títulos mundiais a mais que ele. Shelly-Ann é também a mulher mais velha a ganhar um título olímpico ou mundial de 100m — e a primeira mãe a fazê-lo desde 1995. Ela carregou seu filho Zyon, de 2 anos, na pista, dizendo querer “inspirar outras mulheres pensando em começar uma família”.

 

E você? Sabe de alguma mulher que poderia estar nessa lista? Deixa nos comentários que pioneira de 2019 você gostaria de ver por aqui?

Flavia Doria é jornalista e fundadora do aletraeffe.com

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